Eu estava terminando de acordar... Foi quando eu percebi que estava do lado de fora do meu ônibus, olhando para um caminhão, parado na beira do asfalto. Na grama, numa ladeira não tão inclinada, ali ao lado, havia um carro branco. Ele não parecia amassado, nem nada, exceto pelo vidro de trás, que estava quebrado. Não tinha fumaça nenhuma, em nenhum lugar. A tarde estava clara, a grama era bastante verde e tinha um silêncio... Umas quinze pessoas corriam em volta do carro, subindo e descendo a ladeira, de um lado para o outro, completamente perdidas. Mas havia um silêncio, e de uns 50 metros de distância, eu senti como se aquelas pessoas fossem formigas, correndo sem sentido em volta de um pedaço de pão.
Havia silêncio absoluto, exceto por uma mulher, uma senhora, mais velha, que caiu de uma das janelas do carro, no chão, se levantou rápido e começou a gritar. E ela gritava tão alto... Mas eu não entendia o que ela estava dizendo. Ela só estava gritando muito alto e falando várias coisas. Eu percebi que ela estava machucada e, então, eu percebi que ela estava rezando, pedindo ajuda a Deus e as pessoas em volta. Havia um silêncio, entretanto, e ela estava gritando muito alto... Essa senhora sofria muito, por alguma razão. Quando eu entendi que ela rezava pra que a neta dela não morresse, eu entendi também que não havia silêncio e as pessoas ali em volta gritavam e choravam, vários carros paravam, todo mundo tentando falar ao celular, com a emergência, havia muito barulho. Eu fui andando pra mais perto do acidente, e havia uma mulher, do lado do carro, que eu não tinha percebido. Ela tinha a metade do rosto coberta de sangue e não fazia nada, parecia em choque. E tinha um homem, sem camisa, também com o peito coberto de sangue, mas não parecia ser sangue dele... Tinha muita gente ali, tentando ajudar. Os motoristas do meu ônibus, inclusive. E, ali, do meu lado, em meio à correria e à gritaria, tinha uma menininha, de uns 4 anos, loira, com um cabelo bagunçado, falando muito baixinho, sentada nos braços de uma das passageiras do meu ônibus. Eu cheguei mais perto e essa menininha era tão pequena e magrinha... Ela tinha uns arranhões, e seus braços eram muito finos e frágeis. E ela estava chamando pelo "papi" e pela "mami" dela, falando muito baixo, quase, mas sem chorar. Então eu a ofereci chocolate... Ela disse "não... sim" e eu fui ao ônibus, correndo, buscar.
Quando eu voltei, que eu fui andando em direção à menininha, a mulher com o rosto coberto de sangue se afastou e voltou para o carro, que era onde ela estava. A senhora ainda gritava, mas não tão alto. Eu dei um chocolate para a menininha e fiquei com um outro na mão, olhando a coisa toda. Eu vi uma garota, de costas, bem do lado do carro, com a cabeça abaixada. Parecia uma adolescente e eu achei que ELA fosse a neta que a senhora queria salvar... Mas eu fiquei sabendo, em seguida, que não. Havia uma outra menininha, mais ou menos da idade dessa loira, presa nas ferragens. As pessoas estavam falando que ela, essa outra, tinha um corte na testa e que ele chegava até o osso. Ela estava desacordada e todo mundo estava preocupado que ela se sufocasse com o sangue todo que descia do corte na cabeça. Ela estava presa nas ferragens, e as pessoas em volta tentavam, desesperadamente, tirá-la dali, do carro.
Eu voltei até a outra menininha, a que estava bem, e agora ela estava chorando muito. Eu pus nas mãos dela o outro chocolate e perguntei se ela podia guardá-lo pra irmãzinha, pra quando essa outra chegasse. Ela disse que sim e foi quando uma das passageiras do meu ônibus gritou, pra essa menina: "Graças a Deus! A sua irmã não tá morta!"...
Eu achei que essa mulher fosse uma idiota e a tirei dali, dizendo que ela não deveria falar isso pra criança. E essa mulher disse, chorando, que não conseguia ver aquilo tudo. Eu, por outro lado, estava calmo e meu coração nem batia mais rápido. Eu fui acompanhando essa mulher de volta para o ônibus, enquanto os outros passageiros também voltavam. A menininha foi retirada das ferragens, estava inconsciente, mas estava respirando. Eu não a vi... Eu sentei de volta na minha poltrona. Nós continuamos nossa viagem e eu me lembrei do barulho gigante que foi quando o caminhão bateu no carro. Eu acordei com esse barulho e com as várias pessoas do ônibus gritando.
...
Isso aconteceu ontem. Eu cheguei em casa, não contei nada pra ninguém porque ninguém nem sabia que eu tinha viajado, pra começar. Hoje à tarde, eu procurei na internet e a menininha das ferragens morreu. Ela foi a única que morreu no acidente, sozinha, e eu só consigo pensar que a senhora gritava tão alto... E que eu disse à outra menina que ela devia guardar o chocolate pra quando sua irmãzinha voltasse...
05/11/2008
A Menininha.
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14/09/2008
Promos
House
A quarta temporada de House terminou de um jeito tão excelente, que eu mal posso esperar pra chegar terça-feira, dia 16. A série virou até no meu desktop (como se isso fosse um prêmio equivalente ao emmy de melhor drama):
Todos os promos que eu pude achar:
True Blood
Assisti ao piloto de True Blood outro dia e, sim, eu achei incrível - apesar de todo mundo ter achado, no mínimo, estranho - não que eu também não tenha achado. É óbvio que a assinatura do Allan Ball, na abertura, fez minha cabeça e melhorou meu conceito automaticamente. Mas ponho fé na série... Tem o que mostrar, saca? Olha o promo do segundo episódio:
...
E é só por enquanto.
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Marcadores: house, true blood
Mudanças em Tópicos
● Quando algo importante não dá certo, quer dizer que nós precisamos de mudanças, certo?
● Não, não foi retórico. CERTO?
● Porque, por um lado, mudar dá esperanças de que o futuro pode ser diferente e melhor.
● Por outro lado, mudar dá medo - exatamente porque as coisas podem ficar diferentes... Mas não melhor. Só diferentes.
● É por isso, porque existe possibilidade das coisas darem errado, que mudar pode não ser uma boa estratégia pra fugir de uma tempo ruim. Apesar de que, não, eu não acredito na lei de murphy: Se pode dar errado, não quer dizer que VÁ dar errado. Para os pessimistas, como eu, entretanto, a chance de dar errado, só por si, já é um bom motivo pra não tentar.
● Mas que fique claro que pessimistas são mais que pessoas medrosas.
● Eu só preciso ver as coisas por outro ângulo...
● A parte difícil é encontrar o ângulo e me mudar pra lá... Aí a gente pensa nas mudanças.
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13/09/2008
Acabou.
Depois de uma semana terrível de tensão e ansiedade, eis que chegou a sexta-feira. E pra mim, só o fato de ser sexta já era suficiente e tranqüilizador. Haveria, independentemente do que acontecesse, uma resposta... Uma resposta que foi sendo conhecida a semana inteira, dia após dia, a cada minuto que a tal da Graziella não ligava. Eu fui me acostumando com a idéia... A menos que acontecesse algo inesperado e totalmente surpreendente ontem, uma ligação do RH da empresa, eu não seria contratado. A menos que acontecesse alguma coisa, as 10 etapas do processo seletivo não teriam valido de (usemos as palavras adequadas) NADA. A menos que acontecesse algo extraordinário, minha vida continuaria a mesma... Só ficaria um pouquinho pior por um tempo, y'know.
Então a sexta-feira foi passando... E o tempo todo daquele dia, eu sabia que ninguém iria me ligar.
Foi como quando a gente está andando na rua e vê um portão, logo na frente, com um cachorro te encarando. Você sabe que quando passar por ali, o cachorro vai latir e você vai se assustar... Você sabe e, mesmo assim, você vai se assustar.
Às 18h, eu pensei "Agora não tem mais jeito."... E me assustei.
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Marcadores: emprego
11/09/2008
Graziella?
A quarta fase de uma espera infinita por uma resposta gigante é, ouçam o líder, "Batalha contra o desespero: Eu não vou morrer na praia sem lutar!".
Sim, that ridículo.
E nesse intuito, o de lutar, eu amanheci o dia, hoje, disposto a encontrar a moça do RH que gerenciava o processo seletivo, a Graziella, em busca da tal resposta - que, na fase 4 não importa muito qual seja. É excelente que seja um "SIM, você está contratado". Mas beleza se for um "não". Na quata fase, até aceita-se um repugnante "Não, mas você está cadastrado no nosso banco de dados e...". Pppfff.
Então eu liguei pro 0800 da companhia pra descobrir o número da sede na qual eu trabalharia. Liguei pra sede e descobri o número da empresa do grupo pra qual eu fiz entrevista. Liguei pra empresa pra descobrir o telefone do RH e o RH nunca atendia. Até que atendeu e me passaram o ramal da Graziella. Que eu descobri ser o ramal antigo da Graziella. Então me deram um novo e eu tentei ligar umas 12 vezes, até, finalmente encontrar a Graziella que, perae, não era do RH. Graziella errada, que me passou o telefone da Graziella verdadeira, que nunca atendia. Voltei a ligar no RH da empresa pertencente ao grupo da companhia pra qual eu trabalharia e, ops, o setor de qualidade que atendeu. Tentei de novo e ninguém respondia, até responderem e dizerem que a Graziella já, ufa, tinha ido... meu Deus... embora.
...
Amanhã é, pra todos os efeitos e chances e esperanças, minha última chance. Mas você quer saber meu palpite???... É, finalmente, "Não".
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Marcadores: emprego
10/09/2008
A Fase Três da Espera Infinita
Conforme eu sabiamente previ ontem, a terceira fase de uma espera infinita por uma resposta gigante é "Desespero Maior: Ainda Mais Inacreditável; Esperanças going down".
Incrível como eu estou perturbado com a resposta do processo seletivo que nunca sai. Incrível. Em minhas (relativamente) normais condições psicológicas, eu já teria somado dois mais dois e desistido. Porque seguinte: A moça falou que começaríamos, caso aprovados, no dia 15/09. Amanhã é 11/09. Já tá mais que tarde pra falar "Você foi contratado! Aê!". Mas, na minha cabeça, existem alternativas. Plus, hoje, eu encontrei um dos finalistas (eu fui um finalista; big shit) e ele falou que já recebeu, de fato, o "Você foi contratado! Aê!". Aê.
Hora de desistir? Sim. Eu estou desistindo? Slowly. Já estou quase naquele ponto "Me ligue com qualquer resultado, mas me ligue, pelo amor de Deus!". Já pensei que a mulher pudesse ter perdido meu telefone, já tentei ligar, em vão, pra lá hoje... Mas o telefone que eu tenho não recebe chamadas. Amanhã começo a procurar um telefone que sirva e vou ligar. Desespero total.
...
Ironicamente, desde que eu comecei a passar os meus dias ESPERANDO essa huge resposta que mudará meu futuro, eu não preciso mais ESPERAR ônibus. Eles passam no minuto que eu chego no ponto. Que tipo de troca estúpida foi essa, Deus? Compensar uma espera por outra? Vai à merda! Me mate. NOW!
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Marcadores: emprego
09/09/2008
É de um Desespero Inacreditável
Passar o dia todo esperando a resposta do processo seletivo e nunca recebê-la é de um desespero inacreditável... Você não sabe.
Observação interessante do cotidiano; quando você espera que determinada pessoa te ligue, todo mundo diferente decide que tem alguma coisa pra te falar por telefone. E a cada vez que o celular toca, é um frio na barriga achando que poderia ser, dessa vez, enfim, resposta sonhada. O dia passava, e às vezes, eu colocava a mão no bolso, num susto, achando que o celular podia estar vibrando e, por um motivo fisiológico qualquer, sei lá, eu podia não sentir minha perna naquele momento. Às vezes minha perna tremia bem perto do bolso onde o celular estava... Meu cérebro me pegando uma pegadinha - pretty fun. Com isso, aliás, eu descobri minha imensa capacidade mental. Eu já tava vendo a hora em que meu celular recebesse uma chamada de "my brain", por telecinese. Fora que eu cansei de pensar que a mulher podia ter me ligado com a resposta, e eu ter, coincidentemente, apertado o botão vermelho do celular justamente na hora e nunca ter visto a ligação.
I'm freaking out, repare. E por mais que eu tente negar, tenho esperanças de que (boas) notícias vão chegar. Estou sendo otimista, acredite.
Amanhã, nessa mesma bat-hora, nesse mesmo bat-local e sob essa provável mesma bat-situação, as esperanças estarão reduzidas à metade. E o desespero será o dobro.
Inacreditável?
Aguarde.
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08/09/2008
Futuros Alternativos Imediatos
Passei o dia esperando a resposta do processo seletivo, que nunca veio. Talvez amanhã, quem sabe?
Foram 10 (DEZ!) etapas... E a cada etapa que você passa, fica mais difícil conter a empolgação, que vai crescendo sem controle, mesmo sob vigilância constante. E por isso, é estranho pensar que assim que o resultado saia, meu humor vai mudar completamente. Sim, meu futuro (a longo prazo, eu quero dizer) também vai mudar... Mas meu humor pra viver o dia-a-dia ta aí. É palpável, real, diretamente proporcional à notícia que eu estou pra receber. E ele, meu humor, vai mudar! Para o bem OOOUUU para o mal.
São dois futuros alternativos imediatos. E pensar neles, agora, não, não me acalma. Não, não me prepara. Não, não me anima. Não, não NADA, exceto "ansiedade". Logo, eu estarei extremamente feliz - não tão feliz quanto, hoje, eu acho que estarei e - é - isso vai ser decepcionante - ou estarei extremamente INfeliz - é lógico que não vai ser nada como o dark place colossal que eu imagino agora, mas vai ser ruim o bastante.
E foi por pensar nisso, em como eu vou estar amanhã, é que, hoje, eu tive um dos dias mais tensos, em muito tempo. Só perde praquela vez que eu pedi a Xuxa em casamento... E ela demorou semanas pra responder minha cartinha.
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Marcadores: emprego
05/09/2008
UFA
Yeah, I did it! Eu fui fazer a entrevista, encerrei meu processo seletivo e cheguei ao trabalho a tempo. Tudo bem que eu tive que trocar de roupa no ônibus, pra não chegar no estágio de roupa social, deixando, nesse caso, evidente que tinha acabado de chegar da empresa gigante que (quem sabe) (talvez) (será?) (meu Deus, será mesmo?!) vai me contratar.
O resultado do processo seletivo de, juro, DEZ ETAPAS deve sair hoje. Segunda, no máximo.
Mas é claro que vai sair segunda. Deus não perderia a chance de me dar o final de semana mais tenso da história.
...
Aliás, hoje eu tive uns momentos de tanta sorte que eu não acreditei. Sabe o ônibus que passa na hora certa? A conta no banco certo que tem dinheiro? As oportunidades certas nas horas certas?
Raro.
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Marcadores: emprego
04/09/2008
Não, eu não achei que seria fácil.
Hoje foi um dia tão, mas tão tenso, que, ao meio-dia, eu pensava em largar tudo pra lá, jogar tudo pro alto, me demitir e confiar na sorte, como um pobre maldito sentado na calçada do Ídolos, do SBT.
Não fiz isso tudo por medo. Amarelei na hora. Não gosto de confiar no destino - that little bastard - acho que vocês sabem.
Um outro dia tenso me espera amanhã. Talvez menos tenso que hoje, mas, com certeza, mais decisivo. Bem mais decisivo. A última da última da (eu acho) última etapa do processo seletivo é às 11h da manhã. Se eu conseguir chegar ao meu trabalho, que fica a duas cidades de distância da entrevista às DUAS DA TARDE, bem, missão cumprida. Zerei o video game. Então é esperar até segunda. É esperar os créditos terminarem de subir pra saber se eu lembrei de pegar todas as esmeraldas.
...
Então torçam por mim.
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Falei que ontem eu andei num segway? Momento awesome da vida. Sorte minha que não é um esporte... Ou eu seria mais péssimo do que fui.
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